domingo, 12 de maio de 2019

Feirinha para as Missões


No domingo, dia 12 de maio, a ACR de Castelo do Neiva organizou mais uma feirinha para as Missões, no salão paroquial. Já há alguns anos que se realiza esta feirinha, com a qual se pretende angariar fundos para ajudar no apadrinhamento de algumas crianças, através da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, que esteve representada pela Irmã Olinda, e com a colaboração da FASFHIC (Família Secular Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição).
A ACR tem três crianças apadrinhadas, uma em São Tomé e duas em Timor.
A feirinha teve início pelas 10h da manhã, havendo à venda de tudo um pouco: doçaria e bebidas, artigos de bazar, vestuário, artigos de cozinha, artigos religiosos, livros, etc.
Logo pela manhã passaram muitas pessoas pela feirinha, e de tarde também houve razoável participação, pois havia a recitação do terço e a exibição de um pequeno filme sobre a fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição, a Beata Maria Clara do Menino Jesus.


Apurou-se o valor de 503,86€. A ACR agradece a participação e generosidade de quantos quiseram ajudar a tornar mais suave a vida de alguns meninos, que têm um nível de vida bastante inferior ao das nossas crianças. Que Deus a todos compense.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Festa da Senhora do Rosário


Realizou-se no dia 5 de maio, um domingo, a festa de Nossa Senhora do Rosário, com Eucaristia e procissão, na igreja paroquial. 
A procissão seguiu o percurso habitual, ou seja, desde a igreja até ao largo das Mercês, contornando o parque automóvel e regressando, no que foi acompanhada por muito povo.
No final, a confraria de Nossa Senhora do Rosário, como habitualmente, procedeu ao sorteio de rosários, que saíram a quem se tinha previamente inscrito .

quinta-feira, 2 de maio de 2019

As Nossas Senhoras de Fátima que deram à praia


Há noventa anos, mais precisamente no dia 18 de dezembro de 1928, um vapor português pertencente à Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos encalhou nos chamados "Cavalos de Fão", ao largo da costa de Esposende. Era o vapor Lagoa, e vinha carregado de bens e produtos avaliados numa grande fortuna, que trazia de Inglaterra, França e Alemanha.
Vinha cheio, com centenas de sacos com açúcar, cacau, caixas de bombons, artigos de bazar, resmas de papel para impressão, harmónicas, pianos, discos para gramofones, cânhamo e uma grande variedade de artigos que faziam elevar o valor de toda a carga a muitos milhares de contos. No convés trazia trinta automóveis da marca Citroen.

O vapor LAGOA (colecção Francisco Cabral)

O dia era de sol, o mar estava "chão". O Lagoa, que tinha passado ao largo de Viana pelas 10h30,  navegava depressa mas muito para terra, segundo o relato de alguns pescadores de Fão que assistiram a tudo e que foi publicado no jornal Comércio do Porto de 20-12-1928. Eles ainda acenaram com lenços a avisar os do vapor, mas de nada adiantou e o naufrágio deu-se. Eram cerca das 11h30 da manhã. A explicação dada mais tarde para o acontecido foi de que se tratou de avaria num dos gualdropes do leme.
Houve perda total da carga, mas a tripulação salvou-se toda.
Ora, por esses dias, pescadores de Castelo do Neiva encontraram imagens de Nossa Senhora de Fátima, uns no mar, outros na praia. Imagens lindas como nunca se tinha visto por cá. Ainda ninguém tinha em casa uma imagem de Nossa Senhora, aparecida em Fátima 11 anos antes. Acredita-se que tenham vindo como carga do Lagoa.


As imagens são de porcelana, pintadas à mão. Na parte de trás têm dois orifícios, para se lhe pôr um arco ou auréola (que provavelmente traziam mas se perdeu no naufrágio). 
Na altura a imagem da Cova da Iria de Nossa Senhora de Fátima ainda não tinha a coroa que agora tem, e à falta de melhor tinham-lhe posto um arco de doze estrelas. A mulher de um dos pescadores de então mandou fazer para a sua imagem um arco em prata, com estrelas ornadas de pedras azuis, e colocou a imagem no oratório da casa.
Várias famílias oriundas dos pescadores mais antigos ainda conservam essas imagens. Eu também tenho uma, e o pescador que a encontrou no mar morreu em 1933. 

Na exposição de arte sacra organizada pelo padre Xavier, em outubro de 2013, havia seis imagens de Nossa Senhora de Fátima provenientes do Lagoa.

Capa do livro A Pérola de Portugal, publicado em 1931.
Na foto uma das primeiras imagens de Nossa Senhora de Fátima, com o arco de doze estrelas.

Em alguns "santinhos" a imagem de Nossa Senhora de Fátima tem o arco de doze estrelas

Sobre o naufrágio do Lagoa http://naviosenavegadores.blogspot.com/2014/01/historia-tragico-maritima-cxv.html

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Via-Sacra


Como já vem sendo costume há muitos anos na noite de Sexta-feira Santa, no dia 19 de abril viveu-se em comunidade a Via-Sacra do Senhor, numa encenação ao vivo, desta vez meditando na Paixão de Jesus segundo o Evangelho de São Lucas.
Com início na capela de Nossa Senhora das Neves, a primeira meditação foi sobre a transfiguração de Jesus no Monte Tabor. Depois o cortejo, com dezenas de figurantes, seguiu em direção à igreja paroquial, parando mais algumas vezes em lugares já determinados para a encenação das restantes estações.
Uma noite amena convidava à oração, na contemplação dos sofrimentos de Cristo na Sua Paixão e Morte. Muito povo acompanhava o cortejo, gente da terra e também de fora, pois são já em grande número os forasteiros que vêm assistir à encenação, que melhora a cada ano.




A encenação da Via-Sacra envolve muitas pessoas, entre figurantes, leitores, técnicos de som e iluminação, preparação dos cenários, etc. São chamados os movimentos da Igreja à participação, assim como a catequese, mas também pessoas sem qualquer vínculo com esses movimentos. Basta querer participar e há espaço para toda a gente. E é gente que gratuitamente participa, sem outro agradecimento a não ser a bênção do Senhor. Que Ele a todos compense.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Senhor aos Enfermos


Apesar da ameaça de chuva realizou-se na manhã do domingo, dia 7 de abril, mais uma procissão do Senhor aos Enfermos. A procissão, com o Agrupamento de Escuteiros à frente, era ainda composta por elementos das várias confrarias com as suas bandeiras, crianças da catequese, acólitos, o páleo debaixo do qual seguia o pároco com o Santíssimo, elementos da Junta de Freguesia, a Filarmónica de Vila Nova de Anha, o Grupo Coral e o povo, que acompanha sempre em grande número o Senhor nesta sua visita aos doentes e idosos.


Os tapetes de serrim e flores foram elaborados por habilidosas mãos durante a noite ou pela manhã, e nas janelas e varandas estenderam-se colchas. O bairrismo ainda impera neste dia.
Durante o percurso há várias paragens, quando o pároco sai da procissão para levar o Santíssimo a um enfermo. Há doentes que aguardam esta visita em suas casas, mas há muitos mais que se juntam, num esforço conjunto das famílias e cuidadores, em locais devidamente preparados e adornados para o efeito. Assim tem sido nos lugares de Moldes e da Capela, mas este ano também os de Sendim e Junqueira se juntaram num só ponto, aguardando a chegada do Senhor na sede do GRECANE.


E foi até ali que a chuva permitiu o desfile da procissão, tendo que ser interrompido porque os instrumentos musicais da banda poderiam estragar-se, assim como as bandeiras das confrarias. Faltava ainda visitar um enfermo, que aguardava no seu lar, e o padre Xavier fê-lo de automóvel, à boleia de um elemento do GRECANE.
Enquanto se esperava pelo seu regresso, a Filarmónica tocou o tema "Havemos de ir a Viana", na sede do Grupo, para encerramento da sua prestação. Chegado o padre Xavier, deu a bênção final e a procissão dispersou, acabando desta forma mais uma visita do Senhor aos Enfermos.

terça-feira, 26 de março de 2019

Sagrado Lausperene


Realizou-se no dia 23 e 24 de março mais um Sagrado Lausperene, na igreja paroquial. 
Como é habitual, foram vários os movimentos da Igreja a dirigirem as diversas horas de adoração ao Santíssimo, que foi solenemente exposto no final da Eucaristia das 18h30 de sábado. 
A adoração contínua, em que a igreja nunca esteve vazia, prolongou-se durante a noite até à manhã de domingo, quando foi celebrada missa pelas 8h00, e prosseguiu depois até à tarde, tendo o seu encerramento ocorrido com a celebração da Eucaristia.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Peregrinos de Castelo do Neiva em terras transmontanas


No dia 17 de março, cerca de meia centena de peregrinos de Castelo do Neiva, a maioria pertencente a vários movimentos da Igreja, dirigiram-se a terras transmontanas, em peregrinação aos santuários de Nossa Senhora de Balsamão e Santo Ambrósio, em Macedo de Cavaleiros.
Saiu-se de manhã cedo e a primeira paragem foi em Murça, para o pequeno almoço.
Murça é uma vila pequena mas simpática, terra de bom vinho e azeite. É também a terra onde nasceu o soldado Milhões, herói português da I Guerra Mundial, que salvou da morte muitos companheiros e por isso foi mais tarde condecorado ao mais alto nível.
Depois do estômago reconfortado seguiu-se viagem até Chacim, Macedo de Cavaleiros, chegando ao santuário de Nossa Senhora de Balsamão pouco depois das 11 h da manhã, cantando estes simples versos:

Senhora de Balsamão
Aqui vimos nós, Senhora
Lá das terras de Viana
Estamos a chegar agora.

Senhora de Balsamão
Ó Senhora, cá chegamos
Lá das terras de Viana
Por tantas terras andámos.

Senhora de Balsamão
Ó Senhora, aqui vimos
Lá das terras de Viana
A vossa bênção pedimos.

Senhora de Balsamão
Destes montes altaneiros
Lá das terras de Viana
A cá vir somos primeiros.

Senhora de Balsamão
Com vosso divino manto
Curai todos os doentes
E secai o nosso pranto.

Visitando a Senhora logo de seguida, era grande a emoção. Reza a lenda que em tempos medievais vivia naquelas terras um mouro, a quem os habitantes tinham de pagar o tributo das donzelas, ou seja, toda a noiva teria de dormir a primeira noite de casada com o mouro e não com o seu marido. Contrariados e desolados, todos na aldeia cumpriam essa lei, até que um jovem cristão resolveu não a cumprir. Recusando-se a entregar a mulher que amava a outro homem, no dia do casamento foi em comitiva com os amigos ao palácio do mouro, supostamente para pagar o tributo, mas quem ia vestido de noiva era ele. Ao chegar perto do mouro cravou-lhe um punhal no coração. Logo os soldados mouros acudiram, atacando o jovem noivo que com a ajuda dos amigos deu bastante luta. Como os mouros eram em maior número, os cristãos eram abatidos e caíam no campo de batalha. Mas então surgiu uma mulher, com um vaso de bálsamo na mão, que com esse mesmo bálsamo fazia uma cruz na testa dos cristão caídos. Todos a quem ela aplicou o bálsamo se salvaram e recuperaram as forças, conseguindo expulsar os mouros. A mulher entretanto desaparecera, mas ficou em todos a ideia de que só podia ser Nossa Senhora quem por lá tinha passado. Nossa Senhora de Bálsamo na Mão, mais tarde abreviado para Balsamão.
Nossa Senhora de Bálsamão tem na mão esquerda um frasco de metal com o bálsamo e na direita um ramo de noiva. Reconhecida como protetora dos noivos, muitos são os que no seu santuário se vão casar.


Neste santuário se adora também a Misericórdia Divina, revelada por Nosso Senhor a Santa Faustina. Foram os Padres Marianos da Imaculada Conceição, a quem pertence o convento aqui situado, que trouxeram esta devoção para Portugal e a divulgaram primeiramente.
A cada terceiro domingo do mês é celebrada missa com imposição do bálsamo aos fiéis, o que levou a que fosse esse dia o escolhido para a peregrinação. Assim, depois da Eucaristia, celebrada ao meio dia e em que se comungou nas duas espécies, todos receberam a imposição do bálsamo, na forma de uma cruz na testa.
Seguiu-se o almoço, para uns servido no refeitório do santuário e para quem levou farnel havia espaços verdes para estenderem as toalhas e almoçarem confortavelmente.
De tarde prosseguiu-se a viagem, em direção a Vale da Porca, ao santuário de Santo Ambrósio. E também se cantou na despedida à Senhora:

Senhora de Balsamão
Cá viemos nós, Senhora
Lá das terras de Viana
E agora vamos embora.

Senhora de Balsamão
É azul o vosso manto
Destes montes altaneiros
Senhora, sois o encanto.

Senhora de Balsamão
Da vossa presença vimos
E para santo Ambrósio
Agora nos dirigimos.

Senhora de Balsamão
Da vossa capela vimos
Que o resto da viagem
Corra bem, nós vos pedimos.

Senhora de Balsamão
Mãe de Deus e nossa Mãe
Que este nosso autocarro
A Viana chegue bem.

O santuário de Santo Ambrósio, com um recinto de grandes dimensões, é muito visitado e nele se realiza uma grande romaria no terceiro domingo de agosto. Vale da Porca é a terra do cantor Roberto Leal, que é muito devoto de Santo Ambrósio devido ao santo ter curado da cegueira o seu pai. Lá se encontra uma placa a assinalar o facto, com versos feitos pelo cantor, em agradecimento.
Há duas capelas: a inicial, pequena, onde se encontra a imagem antiga do santo, imagem essa que é a que sai em procissão no dia da romaria; e uma grande, já elevada a santuário, com uma imagem de Santo Ambrósio de fabrico mais recente. No recinto encontra-se uma plataforma com cobertura, para a celebração da missa campal, ladeada por outra imagem do santo e ainda a imagem de São Paulo.



Depois de Santo Ambrósio iniciou-se a viagem de regresso, mas ainda com uma paragem, desta vez em Mirandela. Terra da boa alheira, muitos foram os que aproveitaram para comprar este produto, assim como presunto, azeitonas e chouriços.