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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Viana do Castelo já tem Bispo


O Papa Francisco nomeou D. João Lavrador, Bispo da diocese de Angra, Ilha Terceira, Açores, para Bispo da diocese de Viana do Castelo.
Depois de ter passado um ano desde a morte de D. Anacleto Oliveira, e tendo havido vários momentos de oração na diocese e em todas as missas se rezar por essa intenção, foi com muita alegria que as gentes de Viana receberam esta notícia.
D. João Lavrador foi aluno de D. Anacleto e mais tarde colega, pois ambos foram professores no Instituto Superior de Teologia. Diz que sempre o admirou muito por ser uma pessoa de inteligência, de fé e de compromisso, e que nunca imaginou sequer vir a suceder-lhe nem que isso se daria devido à morte trágica que D. Anacleto teve.
De seu nome completo João Evangelista Pimentel Lavrador, nascido em Mira (diocese de Coimbra) a 18 de fevereiro de 1956, D. João Lavrador frequentou o Seminário de Buarcos e o Seminário Menor da Figueira da Foz, entrando em 1972 para o Seminário Maior de Coimbra. Terminou o curso de Teologia em 1980. Até 1984 colaborou na paróquia de Pombal e deu aulas de Educação Moral e Religiosa Católica nas escolas desta cidade.
Foi ordenado presbítero a 14 de junho de 1981 na Sé Nova de Coimbra. Ficou responsável pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e foi assistente regional do CNE. 
Em 1990 obteve a licenciatura canónica em Teologia Dogmática pela Universidade Pontifícia de Salamanca, com a tese "O Laicado no Magistério dos Bispos Portugueses, a partir do Vaticano II". Posteriormente doutorou-se em 1993 com a dissertação "Pensamento Teológico de D. Miguel da Anunciação - Bispo de Coimbra (1741 – 1779) e renovador da Diocese". 
Em 1998 foi nomeado capelão do Carmelo de Santa Teresa de Coimbra, onde acompanhou a Irmã Lúcia durante os últimos dias da sua vida. Em 1999 foi nomeado cónego da Sé de Coimbra e do Colégio de Consultores e passou a ocupar o cargo de secretário da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais.
No dia 7 de maio de 2008 foi nomeado pelo Papa Bento XVI para Bispo auxiliar do Porto e Bispo titular de Luperciana. Em 29 de setembro de 2015 foi nomeado pelo Papa Francisco Bispo Coadjutor da diocese de Angra, na Região Autónoma dos Açores, onde tomou posse a 29 de novembro de 2015.
No dia 15 de março de 2016, após D. António de Sousa Braga, Bispo de Angra, ter completado 75 anos, D. João Lavrador sucedeu-lhe no governo da diocese.
Na Conferência Episcopal Portuguesa é presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais desde 2017.
No dia 21 de setembro de 2021 foi nomeado Bispo de Viana do Castelo, sucedendo a D. Anacleto Oliveira. A tomada de posse decorrerá no dia 27 de novembro, pelas 12 horas, no Centro Pastoral Paulo VI, e a Entrada Solene na Sé Catedral de Viana do Castelo celebrar-se-á no dia 28 de novembro, pelas 15 horas e 30 minutos.

(Principal fonte: pt.wikipedia.org)

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Morreu um homem bom


Morreu um homem bom. Estas foram as primeiras palavras que me vieram à ideia logo que soube da morte de D. Anacleto: morreu um homem bom.
Nomeado a 11 de junho de 2010, D. Anacleto teve a sua entrada solene em Viana no dia 15 de agosto. Vi-o pela primeira vez no dia 20 desse mesmo mês, dia de Nossa Senhora da Agonia. Aí lhe tirei a primeira foto, na procissão que se dirigia ao mar.


Ao longo dos 10 anos em que esteve à frente da Diocese, o 4º bispo de Viana do Castelo soube ser pastor e pai. Interessava-se pela terra, pelas pessoas, pelos costumes e tradições, pelos grupos e movimentos, pelas paróquias, por tudo e por todos.
Tive oportunidade de assistir às suas intervenções em algumas celebrações e encontros, tanto com jovens como com os idosos e doentes. D. Anacleto fazia questão de estar presente no encontro anual do Dia Diocesano do Doente, dedicado aos mais frágeis da diocese, ele que se dizia já também um idoso e a fazer parte dessa parte mais frágil da sociedade. Era grande o carinho e amizade que a todos dedicava.
Nas visitas pastorais, em que tinha encontros com os jovens que depois crismaria, conversava com eles e decorava os seus nomes, que depois, na Eucaristia de Crisma, mencionava na homilia, lembrando e agradecendo esses momentos que tinham proporcionado ao seu bispo. As suas visitas pastorais ficaram na memória de todos, pois em cada paróquia que visitava procurava conhecer todas as igrejas e capelas, todos os grupos e movimentos, Junta de Freguesia e associações, e a todos que o recebiam tratava como amigos de longa data, sempre de sorriso franco. As crianças procuravam a sua companhia e davam-lhe a mão, e ele a todas tratava com carinho e brincadeira, por vezes até tirava o solidéu e colocava-o na cabeça delas. 


Quando eu, em 2018, em vésperas de ir a Lisboa em peregrinação ao túmulo de Madre Maria Clara do Menino Jesus, tive oportunidade de com ele conversar, D. Anacleto ficou contente por saber da viagem e disse-me que transmitisse a todas as pessoas que iriam comigo no autocarro que o bispo abençoava a viagem e pedia que rezássemos por ele, o que fizemos.
Na véspera de Natal visitava os presos e participava na Ceia dos Sós, uma iniciativa da paróquia de Nossa Senhora de Fátima dedicada aos mais pobres e também a todas as pessoas que vivem sós, independentemente da sua classe social. Desde 2011 que D. Anacleto participava nessa ceia, em convívio fraterno com todos.
Era um homem bom, de coração grande e cheio de amor cristão. As saudades deixadas aos seus diocesanos serão difíceis de superar. Até sempre, D. Anacleto.