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sexta-feira, 22 de março de 2019

Peregrinos de Castelo do Neiva em terras transmontanas


No dia 17 de março, cerca de meia centena de peregrinos de Castelo do Neiva, a maioria pertencente a vários movimentos da Igreja, dirigiram-se a terras transmontanas, em peregrinação aos santuários de Nossa Senhora de Balsamão e Santo Ambrósio, em Macedo de Cavaleiros.
Saiu-se de manhã cedo e a primeira paragem foi em Murça, para o pequeno almoço.
Murça é uma vila pequena mas simpática, terra de bom vinho e azeite. É também a terra onde nasceu o soldado Milhões, herói português da I Guerra Mundial, que salvou da morte muitos companheiros e por isso foi mais tarde condecorado ao mais alto nível.
Depois do estômago reconfortado seguiu-se viagem até Chacim, Macedo de Cavaleiros, chegando ao santuário de Nossa Senhora de Balsamão pouco depois das 11 h da manhã, cantando estes simples versos:

Senhora de Balsamão
Aqui vimos nós, Senhora
Lá das terras de Viana
Estamos a chegar agora.

Senhora de Balsamão
Ó Senhora, cá chegamos
Lá das terras de Viana
Por tantas terras andámos.

Senhora de Balsamão
Ó Senhora, aqui vimos
Lá das terras de Viana
A vossa bênção pedimos.

Senhora de Balsamão
Destes montes altaneiros
Lá das terras de Viana
A cá vir somos primeiros.

Senhora de Balsamão
Com vosso divino manto
Curai todos os doentes
E secai o nosso pranto.

Visitando a Senhora logo de seguida, era grande a emoção. Reza a lenda que em tempos medievais vivia naquelas terras um mouro, a quem os habitantes tinham de pagar o tributo das donzelas, ou seja, toda a noiva teria de dormir a primeira noite de casada com o mouro e não com o seu marido. Contrariados e desolados, todos na aldeia cumpriam essa lei, até que um jovem cristão resolveu não a cumprir. Recusando-se a entregar a mulher que amava a outro homem, no dia do casamento foi em comitiva com os amigos ao palácio do mouro, supostamente para pagar o tributo, mas quem ia vestido de noiva era ele. Ao chegar perto do mouro cravou-lhe um punhal no coração. Logo os soldados mouros acudiram, atacando o jovem noivo que com a ajuda dos amigos deu bastante luta. Como os mouros eram em maior número, os cristãos eram abatidos e caíam no campo de batalha. Mas então surgiu uma mulher, com um vaso de bálsamo na mão, que com esse mesmo bálsamo fazia uma cruz na testa dos cristão caídos. Todos a quem ela aplicou o bálsamo se salvaram e recuperaram as forças, conseguindo expulsar os mouros. A mulher entretanto desaparecera, mas ficou em todos a ideia de que só podia ser Nossa Senhora quem por lá tinha passado. Nossa Senhora de Bálsamo na Mão, mais tarde abreviado para Balsamão.
Nossa Senhora de Bálsamão tem na mão esquerda um frasco de metal com o bálsamo e na direita um ramo de noiva. Reconhecida como protetora dos noivos, muitos são os que no seu santuário se vão casar.


Neste santuário se adora também a Misericórdia Divina, revelada por Nosso Senhor a Santa Faustina. Foram os Padres Marianos da Imaculada Conceição, a quem pertence o convento aqui situado, que trouxeram esta devoção para Portugal e a divulgaram primeiramente.
A cada terceiro domingo do mês é celebrada missa com imposição do bálsamo aos fiéis, o que levou a que fosse esse dia o escolhido para a peregrinação. Assim, depois da Eucaristia, celebrada ao meio dia e em que se comungou nas duas espécies, todos receberam a imposição do bálsamo, na forma de uma cruz na testa.
Seguiu-se o almoço, para uns servido no refeitório do santuário e para quem levou farnel havia espaços verdes para estenderem as toalhas e almoçarem confortavelmente.
De tarde prosseguiu-se a viagem, em direção a Vale da Porca, ao santuário de Santo Ambrósio. E também se cantou na despedida à Senhora:

Senhora de Balsamão
Cá viemos nós, Senhora
Lá das terras de Viana
E agora vamos embora.

Senhora de Balsamão
É azul o vosso manto
Destes montes altaneiros
Senhora, sois o encanto.

Senhora de Balsamão
Da vossa presença vimos
E para santo Ambrósio
Agora nos dirigimos.

Senhora de Balsamão
Da vossa capela vimos
Que o resto da viagem
Corra bem, nós vos pedimos.

Senhora de Balsamão
Mãe de Deus e nossa Mãe
Que este nosso autocarro
A Viana chegue bem.

O santuário de Santo Ambrósio, com um recinto de grandes dimensões, é muito visitado e nele se realiza uma grande romaria no terceiro domingo de agosto. Vale da Porca é a terra do cantor Roberto Leal, que é muito devoto de Santo Ambrósio devido ao santo ter curado da cegueira o seu pai. Lá se encontra uma placa a assinalar o facto, com versos feitos pelo cantor, em agradecimento.
Há duas capelas: a inicial, pequena, onde se encontra a imagem antiga do santo, imagem essa que é a que sai em procissão no dia da romaria; e uma grande, já elevada a santuário, com uma imagem de Santo Ambrósio de fabrico mais recente. No recinto encontra-se uma plataforma com cobertura, para a celebração da missa campal, ladeada por outra imagem do santo e ainda a imagem de São Paulo.



Depois de Santo Ambrósio iniciou-se a viagem de regresso, mas ainda com uma paragem, desta vez em Mirandela. Terra da boa alheira, muitos foram os que aproveitaram para comprar este produto, assim como presunto, azeitonas e chouriços.

terça-feira, 13 de março de 2018

Visita ao túmulo de Madre Maria Clara do Menino Jesus


Durante o jubileu dos 175 anos do nascimento de Madre Maria Clara do Menino Jesus, o Papa Francisco concede indulgência plenária a quem visitar o seu túmulo, entre 14 de junho de 2017 e 15 de junho de 2018.
Assim sendo, no dia 4 de março saiu um autocarro com cerca de cinquenta pessoas, diretamente de Castelo do Neiva para Linda-a-Pastora, Lisboa, até à congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, onde o túmulo de Madre Maria Clara se encontra. Apesar da previsão de mau tempo e chuva, a viagem decorreu sem que tal se verificasse, chovendo apenas já no final da tarde.
A chegada a Linda-a-Pastora deu-se por volta das 10:30 h, onde se fez o roteiro comemorativo do Jubileu de Mãe Clara, como é mais conhecida a Madre Maria Clara do Menino Jesus.


Depois do almoço visitou-se o santuário do Cristo Rei, em Almada, e ao fim da tarde ainda houve tempo para uma visita à Mãe de Jesus, em Fátima.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Peregrinos de Castelo do Neiva em Cerejais


No dia 23 de julho, bem cedinho, um autocarro com várias dezenas de peregrinos de Castelo do Neiva seguiu em direção a Trás-os-Montes, para uma visita ao santuário do Imaculado Coração de Maria, em Cerejais, concelho de Alfândega da Fé. Depois de umas horas de viagem, com paragem em Vila Flor para o pequeno almoço, chegámos ao santuário. Já a enfermeira Letícia nos esperava, com indicações para nos dar permissão para cumprirmos o programa combinado anteriormente com responsáveis pelo santuário.
Logo de início se rezou o terço, diante da imagem do Coração de Maria, no santuário. Essa imagem foi esculpida pelo artista José Ferreira Thedim, o mesmo que fez a imagem de Nossa Senhora de Fátima venerada na capelinha das aparições.


Seguiu-se depois, de autocarro, para a Loca do Cabeço, vendo estrada fora monumentos aos mistérios do rosário; na Loca há uma capelinha reproduzindo as aparições do Anjo de Portugal aos Pastorinhos de Fátima, assim como um miradouro e outras imagens. Na capelinha fez-se um pequeno momento de oração, cantando e rezando as orações que o Anjo ensinou aos Pastorinhos. No miradouro admirou-se a belíssima paisagem. Respirou-se um ar puro como existe já em poucos locais.


Novamente de autocarro, seguiu-se de volta para o santuário, de onde se partiu, a pé, para o alto do Calvário, rezando a Via-Sacra, fazendo reparação aos Sagrados Corações de Jesus e Maria, pelas cruzes que pela estrada fora se encontram. Entrámos no Calvário todos em grupo, os que foram a  pé e os que, por serem mais frágeis, seguiram no autocarro e se apearam à entrada do local, rezando todos a última estação da Via-Sacra.
No Calvário visitou-se o túmulo do Senhor, a Varanda de Pilatos, o Átrio de Caifás e a capela do Encontro, com belíssimas imagens (da autoria também de José Ferreira Thedim) do encontro de Jesus, de cruz aos ombros, com a Mãe Dolorosa. A imagem da Mãe Dolorosa tem também o nome de Coração Doloroso de Maria e a de Jesus, que conhecemos como Senhor dos Passos, é lá chamada de Senhor dos Aflitos.
No exterior do Calvário admirou-se a gigantesca Cruz da Ressurreição, os monumentos às Sete Dores de Nossa Senhora e outros pontos de interesse.


No final eram horas de almoço e a fome já se fazia sentir. Novamente de autocarro, voltámos ao santuário. Quem levou farnel encontrou aprazível local de repasto, ao pé do santuário, debaixo das árvores, com uma aragem que refrescava e o silêncio dos locais ermos mas belos. Os outros tinham almoço servido no Lar dos Pastorinhos, um salão que pertence ao santuário e onde se servem refeições a grupos, por marcação prévia.
Uma surpresa agradável foi a visita, durante o almoço, do pároco de Cerejais, padre José António, que é de Esposende e nos fez uma alocução breve de boas vindas, dizendo que conhecia Castelo do Neiva e tinha ainda bem presente o saudoso padre Saleiro, salientando a grande obra que ele tinha feito na nossa terra.


De tarde, visita aos quarenta utentes do Lar de Idosos da Fundação Cónego Manuel Joaquim Ochôa (fundador do santuário, falecido em abril deste ano, aos 92 anos e idade) a quem levámos algumas singelas lembranças.
Pelas três horas da tarde, rezou-se o terço da misericórdia no santuário e a oração jubilar de consagração. Despedida ao Imaculado Coração, já com saudades.
Viagem de regresso a casa, com paragem em Carrazeda de Ansiães.
Uma peregrinação que deixou todos os participantes espiritualmente mais ricos, e com vontade de voltar para o ano.